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	<title>kamira monogatari　「カミーラ物語」</title>
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	<pubDate>Fri, 19 Jun 2009 23:53:12 +0000</pubDate>
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		<title>Bye, bye, Blackbird</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Jun 2009 23:53:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>kamira</dc:creator>
		
	<category>literatura</category>
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		<description><![CDATA[	Ao cair da tarde do início de mar&ccedil;o, chuva fina, um jovem dobrou uma esquina e come&ccedil;ou a descer uma enorme ladeira. Carros enfileiravam-se na avenida, executando sua sinfonia industrial irracional. O rapaz, um músico de 28 anos espreitava os motoristas com o canto do olho, dirigindo-lhes ódio. Envolta em uma capa preta, uma guitarra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p class="MsoNormal"><span>Ao cair da tarde do início de mar&ccedil;o, chuva fina, um jovem dobrou uma esquina e come&ccedil;ou a descer uma enorme ladeira. Carros enfileiravam-se na avenida, executando sua sinfonia industrial irracional. O rapaz, um músico de 28 anos espreitava os motoristas com o canto do olho, dirigindo-lhes ódio. Envolta em uma capa preta, uma guitarra dependurava-se em suas costas. Kadu tocava há sete anos em inferninhos. Além da horda de drogados inúteis, o que mais lhe subia o sangue eram os donos dos lugares, pessoas que o tratavam mais ou menos como um arranjo de flores &ndash; um item decorativo. Chefe que n&atilde;o paga, músico que n&atilde;o aparece, equipamento pifando, b&ecirc;bados inconvenientes. Kadu já n&atilde;o sentia mais tanto por ele próprio, mas pela música em si. A música n&atilde;o merece ser tratada assim. Quando via aqueles motoristas idiotas buzinando, tinha vontade de socá-los. Eles deviam ter vidas muito melhores que a sua. N&atilde;o se frustravam tentando uma vida com pessoas erradas, equivocadas. Ou talvez n&atilde;o, talvez eles estivessem igualmente frustrados. E aquela chuva foi apertando, os pingos tornando-se maiores. Seus grandes olhos azuis, duas órbitas perdidas em uma folha pálida, comprimiram-se</span><span>.</span></p>
	<p class="MsoNormal"><span>Sobremesa preferida: brigadeir&atilde;o. A m&atilde;e fazia pelo menos uma vez por m&ecirc;s e por isso, e ele precisava ficar em casa &agrave; tarde, para que ela terminasse e ele pudesse comer. Odiava ficar em casa porque sempre tinha a casa dos coleguinhas para ir. Jogava videogame, via revista de mulher pelada e estudava. Além disso, fazia nata&ccedil;&atilde;o e ingl&ecirc;s. Sua vida era normal para um garoto de 12 anos até um colega mostrar um disco de vinil do Who. O ritual do vinil! Selecionar um disco da estante, pegar naquela capa enorme, de uma arte estranha, alienígena, botar o disco, encostar a agulha delicadamente e: !!! Eletricidade, tes&atilde;o, alegria, raiva. Kadu viu todo o seu futuro em tr&ecirc;s minutos da faixa <em>Talking about my generation</em></span><span>.</span><span> E foi o início de sua alegria e de seu maior problema. </span><span></span></p>
	<p class="MsoNormal"><span>O ch&atilde;o estava sujo, repleto de folhas, propagandas e lixo. Tomara que a chuva limpe tudo - resmungou para si. E ela apertou, apertou, até ele ir para baixo de uma árvore. Botou as m&atilde;os no bolso da cal&ccedil;a jeans e lá encontrou papéis. Tinha o costume de jogar tudo o que é papel nos bolsos e nunca tirava. No bolo de notas de supermercado, encontrou o ingresso do show do Motorhead, que ele abriu com a sua banda, a Blackbird. Isso há uns 6 anos atrás. Foi o primeiro show grande, tinha muito gente lá pra ver a banda principal e era uma oportunidade para a Blackbird Blues. Estavam t&atilde;o nervosos, que o Zé, o outro guitarrista, errou uma transi&ccedil;&atilde;o. Nisso, o batera sacou numa fra&ccedil;&atilde;o de segundo e&#8230; mudou o ritmo, ficou só no bumbo e na caixa esperando. Kadu improvisou qualquer nota, ao que foi seguido pelo baixista, e assim, pela banda. O público vibrou, gritando e assobiando. Foi o improviso mais inspirado que tiveram. E veio de um erro brusco.&nbsp; </span><span></span></p>
	<p class="MsoNormal"><span>- Chega de trov&otilde;es, melhor sair daqui. - E andou rápido, pulou uma po&ccedil;a. Um caminh&atilde;o estampado com rostos de modelos em tamanho gigante lhe deu um banho e ele fez de tudo para proteger sua guitarra. Pensou que iria tirar fotos, muitas fotos, com a banda nova. </span><span></span></p>
	<p class="MsoNormal"><span>Banda nova. O dia em que foi chamado&#8230; 13 de abril. Depois de testes, entrevistas, demonstra&ccedil;&otilde;es, seu celular tocou. A secretária do dono da gravadora lhe disse &ndash; Sr Moraes? O sr foi aprovado! Parabéns! Pode come&ccedil;ar a arrumar as suas malas&#8230; Em duas semanas o sr parte para a Inglaterra. E a sua namorada, como se sente? Sr Moraes? &ndash; Kadu n&atilde;o conseguia ouvir, a voz da mulher parecia mais um zumbido&#8230; ela estava dizendo que ele fora aprovado; n&atilde;o, <em>escolhido</em> entre hum&#8230; duzentos guitarristas de toda parte do mundo para integrar uma banda mainstream&#8230; de repente, nada mais fazia sentido&#8230; aquilo era ótimo, mas agora ele já n&atilde;o tinha tanta certeza do que queria &ndash; mas os meus amigos est&atilde;o aqui, como posso sair? Eu deveria me sentir orgulhoso, sim. E meus amigos também deveriam ficar felizes por mim. Ent&atilde;o, por que esse sentimento de trai&ccedil;&atilde;o&#8230;? &ndash; perdido em pensamentos estéreis, viu o muro do cemitério chegar ao fim. O estúdio deveria ficar ali perto, mas n&atilde;o o encontrava. Nenhum transeunte além dele, casas sem sinal de gente. Entre duas casas, uma porta entreaberta. Um trov&atilde;o ressoa e uma chuva torrencial come&ccedil;a. Kadu entra pela tal porta apressado. Um galp&atilde;o escuro se apresenta aos seus olhos. Avista uma luz vindo de um corredor. Segue-a e encontra uma gruta. </span><span></span></p>
	<p class="MsoNormal"><span>Uma lembran&ccedil;a da Blackbird, a mais triste de todas. Numa tarde ensolarada de 2004, Kadu, Zé e Patrícia arrumaram duas caixas de papel&atilde;o, colocaram todos os pertences de seu amigo e saíram rumo ao hospital. No caminho para o ponto de &ocirc;nibus, os tr&ecirc;s fumaram o último ma&ccedil;o de Marlboro deixado por Eric. Eric era um ruivo alto, o primeiro baixista da Blackbird. Nunca se metia em brigas, nem traía suas namoradas. Vivia a vida de um jeito simples, sem arrog&acirc;ncia ou melancolia. Conheceu Patrícia na fila do supermercado, quando a deixou passar com uma esponja de lavar lou&ccedil;a. Pensou: ela deve morar sozinha. Daí ent&atilde;o um ano se passou e foram morar juntos. Ele fumava muito, como o pai. Aos 19 anos, come&ccedil;ou a sentir fortes dores nas costas. Depois de diversos exames, diagnosticaram c&acirc;ncer no pulm&atilde;o. Os pais de Eric, que tinham um certo dinheiro, vieram buscá-lo para levá-lo de volta &agrave; Porto Alegre. Porém, o tratamento teria de ser feito em S&atilde;o Paulo, ent&atilde;o, eles resolveram ficar na cidade por um tempo. Mas n&atilde;o queriam que ele continuasse mais na república e pediram todas as suas coisas de volta. Quando os tr&ecirc;s chegaram ao quarto do hospital, levaram um susto com a palidez do amigo. O ambiente todo cheirava a doen&ccedil;a, era quente, escuro e abafado. Eric quem queria que ficasse desse jeito, pois n&atilde;o suportava a luz ou o frio. Seus pais os cumprimentaram e saíram. Sozinhos, eles olharam para Eric por um longo tempo. &ndash; Ent&atilde;o, meus amigos, como est&atilde;o?, sorriu, eu gostaria de pedir uma coisa a voc&ecirc;s&#8230; Quero que fiquem com o meu baixo. Sei que v&atilde;o fazer bom uso dele. &ndash; Os tr&ecirc;s, no entanto recusaram firmemente, alegando que logo ele estaria bom e a banda poderia voltar a ensaiar. Mas Eric insistiu, alegre &ndash; se recusarem, nunca mais falo com voc&ecirc;s. &ndash; Saíram do hospital &agrave; noite. Come&ccedil;ou a chover, a multid&atilde;o corria para o seu destino. Mas os tr&ecirc;s, ali parados, n&atilde;o sabiam o que fazer com um contra-baixo. Um deles entrou na chuva, e depois outro e outro. Foram andando para casa sentindo uma espécie de ressaca, com fome e frio, sem sequer lembrarem-se do endere&ccedil;o direito. N&atilde;o falaram nenhuma palavra pelo resto da noite, mas todos sabiam que era o fim. </span></p>
	<p class="MsoNormal"><span>- Será que é só isso, ent&atilde;o? A vida&#8230; &ndash; pensou Kadu enquanto observava a caverna repleta de pó dourado: partículas de ouro salpicadas na escurid&atilde;o das pedras, do ch&atilde;o, e da água. Entre sombras, viu dois le&otilde;es chineses guardando o recinto. &Agrave; frente, um <em>torii</em>, um portal japon&ecirc;s que antecede templos xintoístas. Talvez estivesse ali há muito tempo. O portal estava erguido dentro de uma pequena lagoa. No fundo, para além do portal, um móvel de madeira. O portal n&atilde;o era vermelh&atilde;o, mas cor de madeira, nunca alguém o havia pintado. Sua madeira exalava um odor exótico como o que a gente imagina quando pensa no Oriente. Kadu encostou a sua guitarra numa pedra e pisou na água. &Agrave; medida que andava, a dificuldade e a profundidade aumentavam. Quando já se encontrava com água acima dos joelhos, finalmente aproximou-se do velho móvel. </span></p>
	<p class="MsoNormal"><span>Em cima dele, havia um livro velho e roto. P&ocirc;s-se a folheá-lo: um apanhado de sutras budistas. Folhas arrancadas. Trechos apagados. Leu em voz alta: &ldquo;Conceba o som de uma palma batendo&rdquo;. Assim, ao som destas, o grande portal desabou, seguido das pedras daquela caverna, que soterraram Kadu.&nbsp;</span><span></span></p>
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		<title>A última semana (Japão)</title>
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		<pubDate>Mon, 11 May 2009 17:34:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>kamira</dc:creator>
		
	<category>Uncategorized</category>
	<category>Japão</category>
	<category>pessoal</category>
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		<description><![CDATA[	22/02/2007. Quinta-feira.
	&nbsp;
	Hoje, come&ccedil;a a última viagem, que é para Hiroshima. Aqui, na esta&ccedil;&atilde;o Shin-Osaka, vejo todos do meu grupo de interc&acirc;mbio. Cada um tem brilho nos olhos, repletos de sonhos. Mas eu n&atilde;o tenho a capacidade de respeita-las.&nbsp; Em uma competi&ccedil;&atilde;o para saber quem é o mais esquisito, quem vence? A intelectualidade nos faz estúpidos.&nbsp;
	As [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>22/02/2007. Quinta-feira.</p>
	<p>&nbsp;</p>
	<p>Hoje, come&ccedil;a a última viagem, que é para Hiroshima. Aqui, na esta&ccedil;&atilde;o Shin-Osaka, vejo todos do meu grupo de interc&acirc;mbio. Cada um tem brilho nos olhos, repletos de sonhos. Mas eu n&atilde;o tenho a capacidade de respeita-las.&nbsp; Em uma competi&ccedil;&atilde;o para saber quem é o mais esquisito, quem vence? A intelectualidade nos faz estúpidos.&nbsp;</p>
	<p>As pessoas de preto, sempre preto (e o colorido mostrado pelas revistas?), a pressa. A aus&ecirc;ncia de latas de lixo. As japonesas de mini-saia no inverno. A espera pelo Shinkansen. Tudo isso acabará em poucos dias.</p>
	<p>N&atilde;o devo fazer aqui o que fa&ccedil;o no meu país. No entanto, sendo brasileira, n&atilde;o seria natural que agisse como tal? O protocolo japon&ecirc;s é bem mais complexo do que imaginei - n&atilde;o há livro que documente tal complexidade.</p>
	<p>MIYAJIMA</p>
	<p>Chegamos &agrave; Miyajima. Todos tiram fotos deste lugar sagrado. Isso me remete a um episódio curioso&#8230; o boato de que uma vez, o vocalista do Guns &acute;n&acute;Roses desceu do palco e bateu em um fotógrafo. Agora que todos agem dessa forma mec&acirc;nica e n&atilde;o vivencam a beleza desta experi&ecirc;ncia, sinto porque Axl fez aquilo. Mas, talvez, as coisas que me interessam n&atilde;o sejam úteis. Em casa, essas pessoas ter&atilde;o fotos para mostrar e eu, nada.</p>
	<p>Aqui é t&atilde;o maior do que qualquer foto possa representar. Séculos de história devem ser sentidos. É no ranger da madeira, no odor exótico do antigo. E aí sinto como a ra&ccedil;a humana é poderosa, como nós podemos ser além de um corpo frágil. Eu n&atilde;o quero um guia me dizendo que aqui é &quot;unbreathfully beautiful&quot;. Cada um deve descobrir isso sozinho. </p>
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		<title>Eterno Retorno</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Feb 2009 04:35:41 +0000</pubDate>
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	<category>memórias</category>
	<category>filosofia</category>
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		<description><![CDATA[	&ldquo;E sabeis&#8230; o que é pra mim o mundo&rdquo;?&#8230; Este mundo: uma monstruosidade de for&ccedil;a, sem princípio, sem fim, uma firme, br&ocirc;nzea grandeza de for&ccedil;a&#8230; uma economia sem despesas e perdas, mas também sem acréscimos, ou rendimento,&#8230; mas antes como for&ccedil;a ao mesmo tempo um e múltiplo,&#8230; eternamente mudando, eternamente recorrentes&#8230; partindo do mais simples [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p><img border="0" src="http://kamira.blogsome.com/images/tanizaki.jpg" />&ldquo;E sabeis&#8230; o que é pra mim o mundo&rdquo;?&#8230; Este mundo: uma monstruosidade de for&ccedil;a, sem princípio, sem fim, uma firme, br&ocirc;nzea grandeza de for&ccedil;a&#8230; uma economia sem despesas e perdas, mas também sem acréscimos, ou rendimento,&#8230; mas antes como for&ccedil;a ao mesmo tempo um e múltiplo,&#8230; eternamente mudando, eternamente recorrentes&#8230; partindo do mais simples ao mais múltiplo, do quieto, mais rígido, mais frio, ao mais ardente, mais selvagem, mais contraditório consigo mesmo, e depois outra vez&#8230; esse meu mundo dionisíaco do eternamente-criar-a-si-próprio, do eternamente-destruir-a-si-próprio, sem alvo, sem vontade&#8230; Esse mundo é a vontade de pot&ecirc;ncia &mdash; e nada além disso! E também vós próprios sois essa vontade de pot&ecirc;ncia &mdash; e nada além disso!&rdquo;</p>
	<p>Nietzsche - Eterno Retorno(1881)
</p>
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		<title></title>
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		<pubDate>Tue, 03 Feb 2009 04:32:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>kamira</dc:creator>
		
	<category>literatura</category>
	<category>sonho</category>
	<category>rascunhos</category>
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		<description><![CDATA[	sem direito de raciocinarsem direito de melhoraros dias de tédio voltampoeira pelo ch&atilde;o
	o jardim foi mudadoum amigo, internadonoites de medopoeira pelo ch&atilde;o
	atravesso as ruasrestaurantes, academiasum mundo de ilus&atilde;opoeira pelo ch&atilde;o
	a praia cinza,a última com vidame buscou
	mas eu n&atilde;o estou.
	ssmkm 28/06/07   1:44
	

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>sem direito de raciocinar<br />sem direito de melhorar<br />os dias de tédio voltam<br />poeira pelo ch&atilde;o</p>
	<p>o jardim foi mudado<br />um amigo, internado<br />noites de medo<br />poeira pelo ch&atilde;o</p>
	<p>atravesso as ruas<br />restaurantes, academias<br />um mundo de ilus&atilde;o<br />poeira pelo ch&atilde;o</p>
	<p>a praia cinza,<br />a última com vida<br />me buscou</p>
	<p>mas eu n&atilde;o estou.</p>
	<p>ssmkm 28/06/07   1:44</p>
	<p>
</p>
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		<title>delirium</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Feb 2009 04:31:24 +0000</pubDate>
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	<category>literatura</category>
	<category>sonho</category>
	<category>memórias</category>
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		<description><![CDATA[	ich liebe: Deliriumich h&ouml;hre: David Bowie - Helden
	numa tarde de pistache a gente podia sair para dar umaduastr&ecirc;s voltas. até a gente se enroscar.
	eu estou aqui e voc&ecirc; tambémeu conhe&ccedil;o o caminho, mas n&atilde;o meu destino.
	cria&ccedil;&atilde;o, antecipa&ccedil;&atilde;oa terra prende meus pés ao ch&atilde;o.
	te conhecer é um deleitequero ficar assim, sempre contente.
	mas o vento n&atilde;o nos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>ich liebe: Delirium<br />ich h&ouml;hre: David Bowie - Helden</p>
	<p>numa tarde de pistache a gente podia sair <br />para dar umaduastr&ecirc;s voltas. <br />até a gente se enroscar.</p>
	<p>eu estou aqui e voc&ecirc; também<br />eu conhe&ccedil;o o caminho, mas n&atilde;o meu destino.</p>
	<p>cria&ccedil;&atilde;o, antecipa&ccedil;&atilde;o<br />a terra prende meus pés ao ch&atilde;o.</p>
	<p>te conhecer é um deleite<br />quero ficar assim, sempre contente.</p>
	<p>mas o vento n&atilde;o nos aproxima<br />o sol n&atilde;o se manifesta<br />o frio n&atilde;o é o suficiente.</p>
	<p>água em nossos olhos<br />difícil guiar com clareza<br />pedras confundem os nossos passos<br />impossível, pelo outro, ter certeza.</p>
	<p>k. 25/06 3:16
</p>
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	</item>
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		<title></title>
		<link>http://kamira.blogsome.com/2009/01/27/sem-nada-temer/</link>
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		<pubDate>Tue, 27 Jan 2009 04:27:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>kamira</dc:creator>
		
	<category>literatura</category>
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		<description><![CDATA[	Conheci o outro lado do mundo,
	Conheci minhas pegadas pela primeira vez,
	Conheci hotéis cinco estrelas,
	Conheci a sensa&ccedil;&atilde;o de um sonho tornar-se realidade.
	E, mesmo assim, eu n&atilde;o conheci felicidade.
	&nbsp;
	Conheci o que é ter dinheiro e viver com medo de perd&ecirc;-lo,
	Conheci&nbsp; o que é ter vontade de fazer algo e n&atilde;o poder faz&ecirc;-lo, 
	Conheci a sensa&ccedil;&atilde;o de esquecer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Conheci o outro lado do mundo,</p>
	<p>Conheci minhas pegadas pela primeira vez,</p>
	<p>Conheci hotéis cinco estrelas,</p>
	<p>Conheci a sensa&ccedil;&atilde;o de um sonho tornar-se realidade.</p>
	<p>E, mesmo assim, eu n&atilde;o conheci felicidade.</p>
	<p>&nbsp;</p>
	<p>Conheci o que é ter dinheiro e viver com medo de perd&ecirc;-lo,</p>
	<p>Conheci&nbsp; o que é ter vontade de fazer algo e n&atilde;o poder faz&ecirc;-lo, </p>
	<p>Conheci a sensa&ccedil;&atilde;o de esquecer todos os livros que li,</p>
	<p>Conheci que música é algo capaz de passar pelos meus dedos,</p>
	<p>Conheci pessoas magras e abundantes,</p>
	<p>Conheci pessoas pequenas e cheias de fé.</p>
	<p>&nbsp;</p>
	<p>Mas quanto eu preciso conhecer para que eu possar acomodar minha cabe&ccedil;a &agrave; noite</p>
	<p>Sem nada temer? </p>
	<p>&nbsp;</p>
	<p>Conheci cidades sem nome,</p>
	<p>Pastos, estradas, fins-de-mundo,</p>
	<p>Conheci a sensa&ccedil;&atilde;o de virar as costas,</p>
	<p>E também a sensa&ccedil;&atilde;o de ser abandonada.</p>
	<p>Conheci a literatura oriental e ocidental,</p>
	<p>Conheci filhos de cortadores de cana, </p>
	<p>Conheci meninos famintos &agrave; espera de suas m&atilde;es,</p>
	<p>Conheci m&atilde;es dominadas pelo desejo,</p>
	<p>E conheci pais que persistem</p>
	<p>Mesmo sem seus filhos vivos.</p>
	<p>&nbsp;</p>
	<p>E o que eu preciso conhecer para que eu possar deitar-me &agrave; noite</p>
 Sem nada temer?
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>eu sou de capricórnio</title>
		<link>http://kamira.blogsome.com/2008/12/25/eu-sou-de-capricornio/</link>
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		<pubDate>Thu, 25 Dec 2008 18:45:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>kamira</dc:creator>
		
	<category>pessoal</category>
	<category>blog</category>
	<category>sonho</category>
	<category>memórias</category>
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		<description><![CDATA[	&nbsp;
	(ilustra&ccedil;&atilde;o: Dave McKean) 
	EU SOU DE CAPRICÓRNIO, eu junto um monte de coisa com receio de esquecer uma época minha. aqui em Santos há um ármario que conta minha vida sozinho - correspond&ecirc;ncias de fanzineiros ou japoneses, revistas Wizard, Vogue, HQ&acute;s sem nenhuma cole&ccedil;&atilde;o completa, álbuns de figurinhas, bonequinhos dos Cavaleiros do Zodíaco, um LP [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>&nbsp;<img height="402" width="400" border="0" title="" alt="" src="http://kamira.blogsome.com/wp-admin/images/davemckean.jpg" /></p>
	<p>(ilustra&ccedil;&atilde;o: Dave McKean) </p>
	<p>EU SOU DE CAPRICÓRNIO, eu junto um monte de coisa com receio de esquecer uma época minha. aqui em Santos há um ármario que conta minha vida sozinho - correspond&ecirc;ncias de fanzineiros ou japoneses, revistas Wizard, Vogue, HQ&acute;s sem nenhuma cole&ccedil;&atilde;o completa, álbuns de figurinhas, bonequinhos dos Cavaleiros do Zodíaco, um LP do Guns - e eu nunca tive toca-discos-, fotos, recortes, textos &agrave; m&atilde;o, rascunhos. Tudo pela metade. Algo come&ccedil;ado numa febre, num ímpeto que precisava ser cumprido. De repente, abandonado melancolicamente como se me desse conta de algo. Ascendente sagitário ou lua em aquário? </p>
]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Nina Simone me embala</title>
		<link>http://kamira.blogsome.com/2008/12/25/nina-simone-me-embala/</link>
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		<pubDate>Thu, 25 Dec 2008 04:28:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>kamira</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[	
	Santos- tempo livre - tanto que é &agrave; vontade - espa&ccedil;o bom - comida restauradora - a família que n&atilde;o é de sangue, mas é família - a família que é de sangue e é amiga&nbsp;- o som de nina simone. 
	&nbsp;
	(desenho é uma tentativa de mangá de Nina. Ela nos anos 60s, black power. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p><img width="336" height="443" title="" alt="" src="http://kamira.blogsome.com/images/nina.jpg" border="0" /></p>
	<p>Santos- tempo livre - tanto que é &agrave; vontade - espa&ccedil;o bom - comida restauradora - a família que n&atilde;o é de sangue, mas é família - a família que é de sangue e é amiga&nbsp;- o som de nina simone. </p>
	<p>&nbsp;</p>
	<p>(desenho é uma tentativa de mangá de Nina. Ela nos anos 60s, black power. N&atilde;o se v&ecirc; muito mangá sobre negros. Se tem, n&atilde;o deve fazer sucesso. Poxa, a vida dessa mulher daria uma ótima série.)</p>
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		<title>boas festas!</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Dec 2008 03:08:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>kamira</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[	Paz e Amor sempre!

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			<content:encoded><![CDATA[	<p>Paz e Amor sempre!
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		<title>sirenes no meio da noite</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Nov 2008 13:12:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>kamira</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[	O Sol. O Sol Me segue caminho sem dor. Outrora madrugada preocupada demais para descanso. Levanto da cama, um cavalo sem nome lá fora me espera. O céu de estrelas como nunca mais vi. No meio de S&atilde;o Paulo, uma pequena cidade chegou. Dizem que tem nuvens, dizem que tem gente. Ah como andei por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>O Sol. O Sol Me segue caminho sem dor. Outrora madrugada preocupada demais para descanso. Levanto da cama, um cavalo sem nome lá fora me espera. O céu de estrelas como nunca mais vi. No meio de S&atilde;o Paulo, uma pequena cidade chegou. Dizem que tem nuvens, dizem que tem gente. Ah como andei por lá. As casas mal-acabadas. Silenciosas. Famílias em seu sono tranq&uuml;ilo junto de seus animais. O som de um velho Passat cortando o vento numa rua próxima. A crina dura do meu cavalo quase machuca. Meu corpo impulsionado. Movimentos de fus&atilde;o. Nos damos bem. Um leve toque para que vire &agrave; direita e ele vira. Nem mais, nem menos. Corremos pelas estradas, ruas abandonadas. &Agrave; espreita, fantasmas. Ex-namorados em pontos de &ocirc;nibus. Escondo meu rosto. Ele olhou para mim? Ou eu olhei para ele&#8230; Esquina, asfalto, escombro, estrada, terra, espa&ccedil;o, céu. Carros abandonados. Encontros mal-fadados. Vento suave frio arrepia. Cavalo relincha. Me aben&ccedil;oa com sua selvageria. As grandes árvores e suas folhas instrumento afinam uma can&ccedil;&atilde;o alem&atilde;. Uma que te fez chorar enquanto dormia. Encontrar-se a si mesmo no escuro. Sem tatear. Pisar firme sem ter onde pisar. Voc&ecirc; disse que me seguraria. Sujeira branca n&atilde;o te deixou ficar. Amarelo meu rosto de tanta pizza no almo&ccedil;o. Um viol&atilde;o n&atilde;o é uma guitarra. Elas est&atilde;o ficando perto, galope. Para o bar. Para a casa de um amigo. Para o mais próximo abrigo. Uma parada, uma descida. Vou para mim. A pé, descal&ccedil;a, pisando na lama, virando mata. Cavalo partido para o horizonte. E eu sozinha em dire&ccedil;&atilde;o n&atilde;o sei pra onde.
</p>
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