meu twitter não funfa mais. só porque eu tava viciada.

acordei com o telefone tocando. era uma vaga de emprego pra telemarketing bilíngue japonês/português.

não sei o que quero da minha vida.

fui assistir NOME PRÓPRIO nesse sábado com o Tatsumi. Tava de folga, cheguei em casa (um lugar onde moram umas 14 pessoas, diga-se de passagem), encontrei ele e disse vamo ver um filme brasileiro, tem mulher pelada. Ele aceitou na hora.

Na entrada, pediram meu documento. A mulher achou que eu menor. Hah!

Voltei pra casa toda feliz. Queria parar num bar qualquer, mas não tinha dinheiro.

Peguei meus cadernos de anotação, ia organizar minhas coisas pra escrever. Mas o Tatsumi não parava de falar. Que eu devia ir pro Japão. Que eu devia trabalhar lá. Como conseguir o visto, blah blah blah. Tudo ia entrando na minha cabeça, passava por um nó chamado cérebro e o que saía era: eu não sei o que eu quero fazer da minha vida. Não sei se eu gosto tanto do Japão. Não sei se eu gosto tanto do Brasil. Só sei que trabalho, pff, é umas das coisas mais inúteis da vida. Queria viver de escrever, tocar guitarra, ver filme e falar japonês. Acho que parei na adolescência. Mas eu preciso de dinheiro. Então eu trabalho. Tem dia que é bom, tem dia que não. A maior parte do tempo, um comichão me desvia o olhar. Quero ler um livro. Quero meu mundo.

Eu tenho uma amiga que admiro muito. Porque ela faz vários trampos. Ela tem muita coragem. Mas eu quero pagar minhas próprias contas em Sun Paolo, então eu preciso de algo fixo.

Vou tirar minha roupa da máquina.

Beijos.

kamira (blog) | July 28, 2008 1:58 pm | COMENTE




são paulo spiritual wasteland #1

Entrava no shopping apressada. Mais uma vez atrasada. Sempre penso que tenho mais o que fazer. Vão vazio, vasos e seguranças. Levava uma mala preta, pois ali pretendia morar. Ouvira falar dos flats baratos. Um vestido preto e uma bagagem não têm nada de incomuns. O que chamava a atenção era a coleção de guizos pendurada na última. Cada um tem um significado. O primeiro que ganhei - nunca me esqueço - foi de um amigo que sabia do meu interesse pelo Japão. No verso lia-se para segurança no trânsito, mas ele não sabia, e deu com todo o coração, mesmo eu não tendo carro. A corda está suja, o guizo, enferrujado. Em ordem cronológica está o guizo da Luna, pois foi o segundo adquirido, embora o último a ser adicionado. Luna, a gata. Compramos quando ela era pequena e penduramos no seu pescoço. Era bom pra nós e para ela. Para ela, porque coçava a garganta mais feliz. Pra nós, porque sabíamos onde ela estava, mesmo no escuro. Era preta. Dizem que os gatos pretos dão azar. Depois de sete anos juntos, tivemos de submetê-la a uma operação. Ao voltar para casa, não era a de antes. Ora miava triste, ora olhava-nos furiosa. Havia tornado-se histérica. Certo dia, em meio a uma brincadeira imbecil, a de puxar o rabo, ela me atacou. Falando assim parece besta. Tentei contar tantas vezes. Acontece que o terror daquele momento não é medido em palavras. Ela tentou pegar minha jugular. Cortes por todo o corpo. Exames. Não era raiva. Os veterinários não entenderam. Os vizinhos disseram que haviam avisado. Amigos sugeriram espíritos ruins na casa. Um semana de observação, todos os dias a visitei. Seu olhar era insípido. Não eram globos verdes ofuscantes. Dois pontos cegos no escuro. Ficava no fundo da jaula encolhida, a comida favorita intocada. Ao ouvir nossa voz, respondia triste. Muitas coisas na vida são impossíveis de entender. A gente quer entender. Esse é o problema. Mas sentimento é como gripe, o vírus sempre muda. Quando você se recupera de uma dor e acha que está imune, outra mais forte vem e te fode. Por todos os lados. E assim, decidi levar a Luna de volta. As coisas pioraram. Os intervalos entre os momentos de doçura e os de fúria encurtaram. Dr Jackyll e Mr Hyde. A soltamos. No dia seguinte, ela voltou. Enorme. Tão feia que não podia olhar. Num ímpeto a prendi, chamei um táxi e a levei de volta. Não dormia mais, não trocava de roupa. Assinei sua morte. Senti meu rosto se contorcer como de um bebê, entendi a loucura dos velhos, a loucura dos bêbados, dos drogados, dos abandonados, dos considerados loucos. Minha mãe, que a amou muito mais, ficou quieta. Lembrou de guardar o guizo. Não posso dizer que sou um exemplo. Gandhi disse que só pelo fato de a gente reconhecer e se esforçar pra sair da lama já indica que a gente é legal. Mas o que me corrompe é o dinheiro. Não o dinheiro-papel, mas o que ele nos proporciona. No fundo, queria viver num estado letárgico pra sempre. É isso que eu faço quando vou às compras. E eu fiz tantas compras. Depois eu chegava em casa e chorava. Ou escrevia sobre como sou idiota parte 1527, a saga. Sozinha num país estrangeiro, sem amigos. Me chamaram pro karaoke e eu fui. Sentei no chão, do lado de fora. Do corredor escuro, um segurança apareceu. Não expressou nada. Perguntei se era errado sentar no chão. Ele mandou eu esperar. Pronto. Fodeu. Por que que eu quis vir pro outro lado do mundo, por que eu me achei no direito de sentar aqui, por que, por quês. Ele voltou. Estendeu a mão e disse é um presente. Abri a mão. Um guizo verde, no verso um deus xintoísta desenhado. O que é, estava emocionada. O deus do dinheiro. Sorriu e se foi. Por quê eu pensei. Então a mala, apesar de preta, chamava a atenção. Escada rolante muito alta. Longa. Observava do alto os brinquedos de parque de diversão na área recreativa. Como esse shopping é grande pensei. Embaixo ficava colorido à medida que subia. As luzes tornavam-se pequenas. A atmosfera do Japão invadia minha memória - aquele silêncio ensurdecedor, as luzes. Ninguém além de mim e dos funcionários. Estava à direita, mas ainda atrapalhava alguém. Essa pessoa estava mais apressada do que eu. Ela me empurrou de leve, me forçando ir para a frente. Fiquei brava porque tenho medo de altura e podia cair da escada. Olhei para ela e vi uma moça de olhos azuis grandes, cabelos loiros. Reconheci que era Alice e nós já havíamos nos falado antes. Desculpei-me pelo olhar raivoso que havia lhe dirigido. Não queria ter te incomodado, mas pra falar a verdade, você deveria se manter à esquerda, ela disse e saiu correndo. No primeiro piso, cinemas abandonados. As vitrines cheias de cores. Um toque no meu ombro. Era F. Disse para descermos. Assenti relutante. Ao longe, avistei H e T, ambos com camisas floridas. Vocês vão viajar? Me chamarm pra tomar chá. Eu falei que só queria fumar um. Saímos por uma rampa, lá fora era descampado como num aeroporto. Iam na frente, felizes como em férias. Eu queria uma camisa daquelas. Devagar, eles ficaram longe enquanto tudo em volta corria e derretia. Parei por um instante. O céu estava escuro.

kamira (pessoal) | July 11, 2008 5:36 am | (1) COMENTÁRIO




são paulo spiritual wasteland

Eu tenho tantos planos. Qual deles terei finalizado até o final do ano? Acho que escrever exige mais do que posso suportar. Exagerada. Precisava tanto te ver, tinha tanta coisa guardada no peito, mas nada tomava forma de palavras. Resolvi andar no parque. Faz três dia que num uso droga e você me chama pra fumar. É, poderia ser mais pacífico. Passo pelos bancos. Homens mal-vestidos deitados. Olhares fugidios. Um tanque no meio de uma clareira. Vou até lá. Na água embaçada, duas carpas. Daqui a pouco faz um mês. Um mês. Quero trocar o dia da minha folga. Quero que você sinta a minha falta. A noite e sua estranha presença. A luz na tua carne. Intenso olhar. Vamos fazer aquele? – me perguntaste depois de tantas horas quieto. Logo nós nos separaremos – pensei.

kamira (pessoal) | July 7, 2008 2:10 am | (1) COMENTÁRIO





| Próximos Posts